não sou de lamentar desilusões
apenas me sinto afetada por elas
mas quando alguém me desaponta
e, de repente, te faz rever todos os conceitos, todos os parâmetros, todos os desejos, todas as vontades
aí o meu racional não exerce tão bem o seu papel
e o não-dito, antes tão ansioso por realizar-se em seu contrário,
gera um mal-estar, ao se dar conta de sua irrelevância,
provoca ânsia, por se ver associado a algo que, na verdade, nunca existiu,
fruto de uma situação sustentada por atitudes
instaurando a idéia de que não é preciso dizer mesmo mais nada
em tempos de reviravoltas, nos quais nem o doce é mais doce,
nos quais você percebe que errou feio, passou longe
é que vale se empenhar pra realizar a receita verdadeiramente doce
da qual você provará somente ao lado de quem realmente merece
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Suspiro
é pensar como deve ser bom quando se baixar as armas
mas curtir as indiossincrasias e aflições do "ainda não",
do não saber o que dizer, havendo tanta coisa para ser dita
é esperar ansiosamente por um resposta da qual se teme
e se alegrar com cada sinal de "sim", interpretado de atitudes dúbias e tímidas
é lembrar da cara de felicidade quando dos momentos conjuntamente vividos,
dos suspiros compartilhados
é saber da impossibilidade do agora entre nós,
mas se alegrar por ter a esperança do amanhã para sonharsexta-feira, 23 de outubro de 2009
Quebra-cabeça de mim
Parece como um vício, mas não é.
É uma obrigação para comigo mesma
Em traçar uma rota, uma trajetória na qual eu precise
Me esgotar , encaixar-me nos outros, enxarcar-me
De relações,
De afetos,
De desejos,
De experiências
Das mais diversas formas possíveis
Dependência afetiva
Na ânsia de que isto signifique o saber e, daí o poder...
Mas eu fujo dos afetos, de suas conseqüências emotivas, pois,
Na verdade, quero viver.
Vivenciar o que até tão pouco tempo não me havia permitido
Tudo aprece ter começado com uma patologia
Na qual eu mesma me aprisionei e criei o sintoma
Eu era uma, única, de uma pessoa
Sem ser ninguém, ser ser eu mesma
E nisso eu me perdi, cerceei-me
Criei um personagem da qual ainda luto para me libertar
Do quebra-cabeças de mim
Ainda desmontado pelo chão
Uma das únicas coisas que sei que quero fazer
É tentar encaixar a minha peça em muitas e muitas outras
Em algumas, o encaixe é fácil e parece servir
Em outras, sobra algo
Aí fico pensando como ainda tenho várias tentativas pela frente
Isso às vezes me apavora
Pois no fundo percebo que nem posso me enganar com uma felicidade superficial
Viro os quatro lados
Experimento combinações
Pode demorar um pouco para eu perceber que não dá
Pois o descarte é doloroso
Por mais que no fundo eu saiba que esse sofrimento é inerente e, por isso, inútil
Tenho sérias dificuldades em dizer “não”
Para mim mesma
às vezes me boicoto
me furo, me escondo dos outros
Olho-me no espelho e não me sinto satisfeita
Não me enxergo como eu queria
Mas isso já me incomoda
Talvez seja um sinal de que
é preciso ressurgir
Pular a janela
Revelar a todos a minha verdade
E que se dane o resto
Não se trata de egocentrismo
Mas apenas de perder o medo de se ser quem se é... ou quem se quer ser
Pois só assim
Estarei pronta para uma outra viagem
Na qual eu não tenha medo de embarcar e construir algo novo e totalmente diferente
Sem o medo de enfrentar o desconhecido
Sem sentir saudades e, ao mesmo tempo, enjôo de jogar
um jogo no qual que tenha que
representar um papel
Pois isso é fake
E eu sempre fiz fakes
Mas tão bem que pareciam reais
Na minha cabeça isso só será possível e agradável depois de múltiplas tentativas
Como uma surpresa, ao achar uma peça correta distraidamente
embora o pouco do desenho já montado
esboce uma bonita paisagem
só queria dizer que
Por ora, é difícil aceitar o que se tem
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
para além da química, tem a física: lei de newton do amor
Agora virou questão de honra te conquistar
quero, como no começo, usar aquela força
- o impulso emergente da repulsa
que surgiu por você me provocar
e fingir não querer nada
pra tornar você ativo,
para além do desejo surdo e mudo,
mais além da perda da razão
que não a física, mas a química pode explicar
só que agora vai ser tudo mais intenso
vou falar e agir como eu bem entender
sorrir, sorrir e te olhar,
provocar, dar a entender,
deixar as coisas no ar...
usar cada situação para te surpreender
até fazer você pensar
que talvez você não tenha outra opção
senão aceitar
que você já está lá
e que a este ponto
qualquer silêncio pode significar
o fim de tudo
mas se você me chamar
confessar
me contar o que esconde de mim...
jogarei-me em seus braços
sem nada mais questionar
confiarei nos teus atos
e não direi nada
com a certeza de que será bom
enquanto durar
quero, como no começo, usar aquela força
- o impulso emergente da repulsa
que surgiu por você me provocar
e fingir não querer nada
pra tornar você ativo,
para além do desejo surdo e mudo,
mais além da perda da razão
que não a física, mas a química pode explicar
só que agora vai ser tudo mais intenso
vou falar e agir como eu bem entender
sorrir, sorrir e te olhar,
provocar, dar a entender,
deixar as coisas no ar...
usar cada situação para te surpreender
até fazer você pensar
que talvez você não tenha outra opção
senão aceitar
que você já está lá
e que a este ponto
qualquer silêncio pode significar
o fim de tudo
mas se você me chamar
confessar
me contar o que esconde de mim...
jogarei-me em seus braços
sem nada mais questionar
confiarei nos teus atos
e não direi nada
com a certeza de que será bom
enquanto durar
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Ode à dança
danço danço danço
não me canso de rodar
na hora do baile, o que vale é aproveitar,
se deixar levar.
não tenho mais medo de errar.
a dança mexeu comigo,
baleou minha razão e aguçou minha emoção,
pois é preciso sentir,
pra entender a condução.
sentindo o outro e o "eu"
a rodar pelo salão,
corpos unidos num só
movimento com razão
compreendi que a vida é desejo,
é arte, é fogo, é paixão
e a dança apenas expressa
o que há tempos levamos no coração.
não me canso de rodar
na hora do baile, o que vale é aproveitar,
se deixar levar.
não tenho mais medo de errar.
a dança mexeu comigo,
baleou minha razão e aguçou minha emoção,
pois é preciso sentir,
pra entender a condução.
sentindo o outro e o "eu"
a rodar pelo salão,
corpos unidos num só
movimento com razão
compreendi que a vida é desejo,
é arte, é fogo, é paixão
e a dança apenas expressa
o que há tempos levamos no coração.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
um passeio no reino dos prazeres
Um encontro, olhares
Explosão de sentimentos indescritíveis, apenas passiveis de serem sentidos
Ela procurava disfarçar a delícia o medo ao vê-lo fita-la sem parar
Ele, ao perceber que ela havia reparado, disfarçava seu desejo através de uma atitude de liderança ativa
O que ambos não sabiam era que pouco conseguiriam sucumbir às intempéries de uma atração quase que irremediável
E por que levar em consideração o “quase”?
Talvez fosse só uma aventura
Talvez passasse depois de um mês ou de uma noite
O que eles não achavam justo era ter que colocar tudo isso no campo do “quase irremediável”
Há coisa mais cara e difícil de se pagar do que o preço do arrependimento de um desejo não realizado?
Os dois tinham muita riqueza e preferiram esbanjá-la em apostas no reino dos prazeres
Explosão de sentimentos indescritíveis, apenas passiveis de serem sentidos
Ela procurava disfarçar a delícia o medo ao vê-lo fita-la sem parar
Ele, ao perceber que ela havia reparado, disfarçava seu desejo através de uma atitude de liderança ativa
O que ambos não sabiam era que pouco conseguiriam sucumbir às intempéries de uma atração quase que irremediável
E por que levar em consideração o “quase”?
Talvez fosse só uma aventura
Talvez passasse depois de um mês ou de uma noite
O que eles não achavam justo era ter que colocar tudo isso no campo do “quase irremediável”
Há coisa mais cara e difícil de se pagar do que o preço do arrependimento de um desejo não realizado?
Os dois tinham muita riqueza e preferiram esbanjá-la em apostas no reino dos prazeres
quarta-feira, 8 de julho de 2009
invenção de pensamentos
O clima era quente - não aquele calor que incomodasse a alma e os sentidos - mas o que proporciona um alívio ao se chegar num lugar mais fresco, quando os movimentos cessam...
Caminho debaixo do sol, ao longo de ruas, atravessando multidões sem deixar de observar alguns detalhes que alguns de transeuntes deixam transparecer de forma menos implícita.
A observação dos outros, da vida correndo, do tempo passando em meio às atividades do dia-a-dia dos outros me acalma. Gosto de parar por segundos para dar espaço á manifestação de meus devaneios que surgem destas observações. Gosto de coisas - de ficar imaginando-as para além de sua condição de objetos - gosto de vê-las interagir com humanos, de fazê-los agir, de serem as fontes da ação. Dá a sensação de que, por mais sozinha que esteja, seja acompanhada por "outros", pois cada ação minha está ligada a uma série de múltiplos encadeamentos que envolvem coisas e pessoas.
A solidão desdes momentos se estende até quando eu tiver que ser interrompida para fazer algo. Mas enquanto esse momento não chega delicio-me com a miríade de mundos e histórias que crio dentro de mim, muitas vezes inserindo-me intrinsecamente nas vidas dos outros, de uma maneira até covarde, pois eles mal podem imaginar que me deram essa liberdade. Gosto de histórias - de acompanhar seus desdobramentos, de me imaginar nelas.
Paro por um instante, fito-me no espelho e é como se compartilhasse comigo mesma os segredos que eu não me canso de inventar.
Caminho debaixo do sol, ao longo de ruas, atravessando multidões sem deixar de observar alguns detalhes que alguns de transeuntes deixam transparecer de forma menos implícita.
A observação dos outros, da vida correndo, do tempo passando em meio às atividades do dia-a-dia dos outros me acalma. Gosto de parar por segundos para dar espaço á manifestação de meus devaneios que surgem destas observações. Gosto de coisas - de ficar imaginando-as para além de sua condição de objetos - gosto de vê-las interagir com humanos, de fazê-los agir, de serem as fontes da ação. Dá a sensação de que, por mais sozinha que esteja, seja acompanhada por "outros", pois cada ação minha está ligada a uma série de múltiplos encadeamentos que envolvem coisas e pessoas.
A solidão desdes momentos se estende até quando eu tiver que ser interrompida para fazer algo. Mas enquanto esse momento não chega delicio-me com a miríade de mundos e histórias que crio dentro de mim, muitas vezes inserindo-me intrinsecamente nas vidas dos outros, de uma maneira até covarde, pois eles mal podem imaginar que me deram essa liberdade. Gosto de histórias - de acompanhar seus desdobramentos, de me imaginar nelas.
Paro por um instante, fito-me no espelho e é como se compartilhasse comigo mesma os segredos que eu não me canso de inventar.
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