domingo, 6 de dezembro de 2009

"Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda." (Carl Gustav Jung)


Passei grande parte dos momentos da minha vida tentando ser alguém quem eu não era
Ou idealizando como seria quando eu finalmente “incorporasse” o meu papel e atuasse
Quase todo momento, era ocasião para devaneios e fantasias que me transportassem para algo que eu não era

Ser, estar, aparecer, arrasar, chamar a atenção, criar e viver histórias como essas que a gente vê na TV
mas que parecem nunca dar certo, pois duram apenas o momento necessário para que nos demos conta de que tudo se trata de uma representação insustentável

Ao mesmo tempo, eu mantinha a janela fechada, olhava tudo de dentro, louca para saltar
cheguei a sair, em alguns momentos dessa casa, mas sempre era forçada a retornar, pois não era possível sustentar um personagem que eu não era

Hoje eu ainda não sei quem eu sou
e nem sei se parte das minhas aspirações são verdadeiras ou ainda se ligam a um ideal que aprece dar certo de longe, mas que só tem graça situado num contexto, que não é o meu
Ainda sonho com situações mágicas, momentos inesquecíveis, lugares mágicos, ao lado de pessoas especiais, que nem sei quem são, mas tenho esperança que um dia apareçam

Mas estou mais ciente de que não há história interessante sem contexto
Aos poucos, estou criando o meu contexto
e me conformando a aquilo que tenho nas mãos, ao meu alcance
é com isso que tenho que lidar e é a partir dele que posso criar a minha realidade
e certos desejos e aspirações não se encaixam aí, justamente porque o contexto é outro
pois se trata de um jogo de relações diferente em questão

Mas eu mesma sei que as coisas  podem mudar de uma hora para outra
trazendo situações novas e inesperadas, nas quais a minha história vai acontecendo
e é ele que tenho que aceitar
enxergar sua beleza, na sutileza dos acontecimentos,
tentando entender a importância que significam em minha vida
é daí que você percebe que é diferente demais dos outros para querer ter histórias clichês
Você tem a sua história,que carrega o seu contexto e é bela e interessante por causa disso

Chega de fantasmas e modelos
enxergue-se como você e é, aja conforme o seu contexto
e tudo o que vai aparecer é verdadeiro
a sua verdade

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"e o que era doce se acab..." peraí... era doce mesmo??

não sou de lamentar desilusões
apenas me sinto afetada por elas

mas quando alguém me desaponta
e, de repente, te faz rever todos os conceitos, todos os parâmetros, todos os desejos, todas as vontades
aí o meu racional não exerce tão bem o seu papel

e o não-dito, antes tão ansioso por realizar-se em seu contrário,
gera um mal-estar, ao se dar conta de sua irrelevância,
provoca ânsia, por se ver associado a algo que, na verdade, nunca existiu,
fruto de uma situação sustentada por atitudes
instaurando a idéia de que não é preciso dizer mesmo mais nada

em tempos de reviravoltas, nos quais nem o doce é mais doce,
nos quais você percebe que errou feio, passou longe
é que vale se empenhar pra realizar a receita verdadeiramente doce
da qual você provará somente ao lado de quem realmente merece

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Suspiro

é pensar como deve ser bom quando se baixar as armas
mas curtir as indiossincrasias e aflições do "ainda não",
do não saber o que dizer, havendo tanta coisa para ser dita


é esperar ansiosamente por um resposta da qual se teme
e se alegrar com cada sinal de "sim", interpretado de atitudes dúbias e tímidas


é lembrar da cara de felicidade quando dos momentos conjuntamente vividos,
dos suspiros compartilhados

é saber da impossibilidade do agora entre nós,
mas se alegrar por ter a esperança do amanhã para sonhar

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Quebra-cabeça de mim

Parece como um vício, mas não é.
É uma obrigação para comigo mesma
Em traçar uma rota, uma trajetória na qual eu precise
Me esgotar , encaixar-me nos outros, enxarcar-me

De relações,
De afetos,
De desejos,
De experiências
Das mais diversas formas possíveis
Dependência afetiva
Na ânsia de que isto signifique o saber e, daí o poder...
Mas eu fujo dos afetos, de suas conseqüências emotivas, pois,
Na verdade, quero viver.
Vivenciar o que até tão pouco tempo não me havia permitido

Tudo aprece ter começado com uma patologia
Na qual eu mesma me aprisionei e criei o sintoma
Eu era uma, única, de uma pessoa
Sem ser ninguém, ser ser eu mesma
E nisso eu me perdi, cerceei-me
Criei um personagem da qual ainda luto para me libertar
Do quebra-cabeças de mim
Ainda desmontado pelo chão
Uma das únicas coisas que sei que quero fazer
É tentar encaixar a minha peça em muitas e muitas outras
Em algumas, o encaixe é fácil e parece servir
Em outras, sobra algo
Aí fico pensando como ainda tenho várias tentativas pela frente
Isso às vezes me apavora
Pois no fundo percebo que nem posso me enganar com uma felicidade superficial
Viro os quatro lados
Experimento combinações
Pode demorar um pouco para eu perceber que não dá
Pois o descarte é doloroso
Por mais que no fundo eu saiba que esse sofrimento é inerente e, por isso, inútil

Tenho sérias dificuldades em dizer “não”
Para mim mesma
às vezes me boicoto
me furo, me escondo dos outros
Olho-me no espelho e não me sinto satisfeita
Não me enxergo como eu queria
Mas isso já me incomoda
Talvez seja um sinal de que
é preciso ressurgir
Pular a janela
Revelar a todos a minha verdade
E que se dane o resto
Não se trata de egocentrismo
Mas apenas de perder o medo de se ser quem se é... ou quem se quer ser
Pois só assim
Estarei pronta para uma outra viagem
Na qual eu não tenha medo de embarcar e construir algo novo e totalmente diferente
Sem o medo de enfrentar o desconhecido
Sem sentir saudades e, ao mesmo tempo, enjôo de jogar
um jogo no qual que tenha que
representar um papel
Pois isso é fake
E eu sempre fiz fakes
Mas tão bem que pareciam reais

Na minha cabeça isso só será possível e agradável depois de múltiplas tentativas
Como uma surpresa, ao achar uma peça correta distraidamente
embora o pouco do desenho já montado
esboce uma bonita paisagem
só queria dizer que
Por ora, é difícil aceitar o que se tem

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

para além da química, tem a física: lei de newton do amor

Agora virou questão de honra te conquistar

quero, como no começo, usar aquela força
- o impulso emergente da repulsa
que surgiu por você me provocar
e fingir não querer nada
pra tornar você ativo,
para além do desejo surdo e mudo,
mais além da perda da razão
que não a física, mas a química pode explicar

só que agora vai ser tudo mais intenso

vou falar e agir como eu bem entender
sorrir, sorrir e te olhar,
provocar, dar a entender,
deixar as coisas no ar...
usar cada situação para te surpreender

até fazer você pensar
que talvez você não tenha outra opção
senão aceitar
que você já está lá
e que a este ponto
qualquer silêncio pode significar
o fim de tudo

mas se você me chamar
confessar
me contar o que esconde de mim...

jogarei-me em seus braços
sem nada mais questionar
confiarei nos teus atos
e não direi nada
com a certeza de que será bom
enquanto durar

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ode à dança

danço danço danço
não me canso de rodar
na hora do baile, o que vale é aproveitar,
se deixar levar.

não tenho mais medo de errar.

a dança mexeu comigo,
baleou minha razão e aguçou minha emoção,
pois é preciso sentir,
pra entender a condução.

sentindo o outro e o "eu"
a rodar pelo salão,
corpos unidos num só
movimento com razão

compreendi que a vida é desejo,
é arte, é fogo, é paixão
e a dança apenas expressa
o que há tempos levamos no coração.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

um passeio no reino dos prazeres

Um encontro, olhares
Explosão de sentimentos indescritíveis, apenas passiveis de serem sentidos
Ela procurava disfarçar a delícia o medo ao vê-lo fita-la sem parar
Ele, ao perceber que ela havia reparado, disfarçava seu desejo através de uma atitude de liderança ativa
O que ambos não sabiam era que pouco conseguiriam sucumbir às intempéries de uma atração quase que irremediável
E por que levar em consideração o “quase”?
Talvez fosse só uma aventura
Talvez passasse depois de um mês ou de uma noite
O que eles não achavam justo era ter que colocar tudo isso no campo do “quase irremediável”
Há coisa mais cara e difícil de se pagar do que o preço do arrependimento de um desejo não realizado?
Os dois tinham muita riqueza e preferiram esbanjá-la em apostas no reino dos prazeres