domingo, 31 de outubro de 2010

relicário

enquanto vênus continua retrógrado
e a lua ainda é minguante
vou ver se consigo juntar numa caixinha tudo que você me deu...

todas as lembranças reais ou imaginárias
que me fazem oscilar entre o bem e o mal me quer

quem sabe um dia eu te entrego...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

tic tic tum no meu coração

quero sol, quero sal, quero mar... quero ouvir a brisa soprando e o meu coração cantando a canção da minha liberdade

mas esse coração também batuca uma canção de amor...
uma canção que fala de saudade e que faz bater meu peito mais forte...
toda vez que as lembranças de um bem invadem a minha mente...

Lembranças misturadas ao desejo em novos sonhos se recompõem
e me fazem crer que talvez não seja tarde para recomeçar...
e que não é injusto correr atrás da própria felicidade,
mesmo quando ela aparente já estar bem longe, com quem se quer...

Pois quem foi pode voltar... e quem ficou, pode ir até lá...
dar uma espiadinha, bater na porta, mostrar o sorriso e abrir o coração
ver e sentir o que se passa do outro lado, dentro do peito de outrem...

Beijos, fogos, explosões de felicidade
{ROMA} – AMOR – {NCE}

domingo, 3 de outubro de 2010

Sem nada

Não há vontade de buscar encontros ocasionais quando a certeza de já se haver encontrado o que se busca é latente

pena que essa certeza às vezes chegue um pouco atrasada, ou somos nós que demoramos a perceber... a elaborar tudo o que vem acontecendo em termos de sentimentos...

deve ser por isso que é tão difícil querer explicar o que os sentimentos significam. Porque eles só significam quando significam dentro da gente - e quando comunicamos esse signifcado aos outros.

Hoje eu sei que estou disposta a estar disposta, mas depois de ter desperdiçado inúmeras chances, depois de ter gerido afetos, colocando os sentimentos dentro de uma gaveta sem nome, sem definição, largados como se não tivessem a menor importância...

hoje, não sei o que resta...
nem sei definir o que sinto
atração e repulsa; tenntação e medo; afeto e raiva misturam-se no limbo dos meus pensamentos cotidianos que torço para que se transformem em algo mais florido a partir de uma reviravolta no movimento do encontros que se desencontram e que se reencontram

domingo, 15 de agosto de 2010

Revelação

De repente, tudo fez sentido
Minha vida, meus caminhos, meus erros e acertos
Nada mais era condenável, pois tudo tornou-se uma ponte
para que eu chegasse aonde cheguei e olhasse para trás
Com esse sentimento de tranqüilidade,
Para que, sem pressa, pudesse começar de fato a trilhar novos caminhos
A viver novas emoções
Sem angústia por um momento que não chegava, por um sentimento que não despertava, por uma oportunidade que não aparecia
Em meio ao desejo e à crença
Em um todo maior,
Cheio de sentido
Que só se explica no momento oportuno
Quando a conjunção de corpo, mente e espírito ocorre,
passei a encarar meu destino
imbricado numa teia de relações que estão muito além do hoje,
pelas quais já não anseio desesperadamente
nem temo sua não realização,
pois sei que chegou a hora
Acerto de contas
Passado, presente e futuro

domingo, 18 de julho de 2010

Não dá mais pra ser metade do inteiro que eu sinto

Qual é a sua essência?

Com o que você se preocupa de fato?

Como você encara a vida? E o que você quer dela?

Qual a sua fé?

Às vezes é necessário colocar tudo isso no papel e parar para pensar...
Pensar no que já temos, no que conseguimos alcançar...
Às vezes, tudo parece tão difícil, mas...

De repetente, a gente consegue aquilo que tanto almejava
E vê que quer mais, que quer diferente
Que quer comida, diversão e arte
E amor...

E aí, vê que o brilho da lua, poder olhar o azul do céu durante o dia, da falta de pressa pra certas coisas e ter tempo pra jogar conversa fora são mais importantes na sua vida do que você imaginava

E que você não é nada ambiciosa para certas coisas
Você é até simplória demais...

Porque gosta de poesia, músicas raras, do silêncio da madrugada, do vento da noite estrelada, do calor dos raios de sol no meio da tarde, do som dos atabaques, de admirar a arte cotidiana daqueles mais simples, de dar risada à toa, de inventar e imaginar histórias...

E que não conseguiria morrer feliz sem suas viagens e situações inusitadas, sem o pôr-do-sol na praia ao lado daquela pessoa especial, sem um baile cheio das músicas que você adora dançar, sem conversas filosóficas sobre o mundo e seus pesares com pessoas como você, sem uma noite inesquecível sob a luz da lua e das estrelas...

Pois é isso que satisfaz o que você precisa... e não o resto

Minha felicidade é feita de coisas menos palpáveis do que se imagina e mais cheias de significado para pessoas como eu, que precisam de troca com o mundo, com a natureza, com a opinião dos outros, com risadas e tristezas, com beijos, abraços e silêncios...

E daí você vê que falta muito.... você olha pra trás, quando tinha mais ou menos seus 16 anos... e percebe que você continua fiel ao que você sempre acreditou...
E que não vai ser agora, quando você tem a chance de fazer diferente – mas jogando tudo isso pro alto – que você vai mudar

Pois você não quer...
acomodar com o que incomoda

quinta-feira, 15 de julho de 2010

só eu, só isso...

encontros, esbarrões, separações
a vida segue pela cidade
em cartas, frases, desencontros, compromissos marcados e desmarcados
estilhaços de sentimentos espalhados, tristeza, solidão e sofrimento
que se fazem relembrar em alguns gestos desorientados
recordações de fases do sentir, que retornam a cada cena observada,
a cada linha lida de trechos de jornal, que agora se desfiguram ao se molhar
lágrimas que se misturam aos pingos da chuva
inverno dentro de mim

domingo, 4 de julho de 2010

Alteridade não resolvida

Às vezes sinto que não me encaixo em grupo nenhum. Que meu destino será sempre este – ser a estranha em qualquer lugar que eu me situar. Nunca estarei totalmente à vontade, sentindo-me 100% parte daquilo. Porque parte de mim já não sei mais daonde é, sei que é de bem longe, de um tempo que nem eu consigo me lembrar, mas que me dá uma sensação boa, de frio na barriga e me faz sentir especial quando tento me remeter a ele.

É estranho como sempre gostei de ter contato com os grupos “out”. Eu nunca quis ser “in”, sempre achei muito chato e sem graça. O que me atrai é o desvio, o diferente, a possibilidade de criar o novo e mostrar ao “in” que o “out” é muito mais do que ele. Talvez porque venha mesmo do “out” a possibilidade de transformação, por menor que ela seja.
Só que nessa brincadeira de alteridade, você às vezes acaba sem saber direito quem você é e o que você quer...


Sei que o importante é buscar o equilíbrio, coisa que é difícil para mim... sempre gostei de excessos e quando uma coisa que gosto muito começa, é difícil querer parar... muita música, muito risada, muita conversa, muita comida, muita bebida, muitos beijos. E quando estou no fundo do poço também. É preciso algo muito forte para poder me tirar de lá.
Mas é engraçado como essas pessoas às quais eu me ligo também são “out”. cada uma, a seu modo, não está satisfeita com o seu caminho percorrido, com o seu atual lugar no mundo. Sonham em melhorá-lo, em fazer algo por elas mesmas, mas que contribua para a mudança da situação.

Sonham, como eu, em largar tudo, sair por aí, pagar pra ver no que vai dar, vivendo da maneira que o momento proporcionar. E por que não nos juntamos e fazemos isso? Eu acho que se todos nós jogássemos nossos medos e receios no lixo e partíssemos pra vida com toda essa nossa vontade, formaríamos juntos um movimento “out” capaz de realmente fazer a diferença nesse mundo vendido.