sábado, 7 de maio de 2011

Re... -vendo; -moendo; -pensando; -escrevendo

Nota incial: não é fácil voltar a escrever sobre algo que um dia já te deu tanta inspiração...

[Voltar a aquele relicário, que estava incompleto e que eu havia desistido de fazer... pois bem ou mal sinalizava a incompletude de tudo o que havia ocorrido. Voltar a ele era mais sofrido do que começar a escrever sobre qualquer outro sofrimento latente, mas novo. Sim, porque o ato de não-novidade fazia com que me remetesse às emoções vividas e a seu resultado e, depois ao que eu havia decidido fazer: jogar tudo fora, após inúmeras tentativas frustradas de dotar de sentido o que havia sido vivido e sentido...

Mas eis que o que não havia morrido de fato em mim ressurge inesperadamente e aí surge a necessidade de dar sentido ao novo ... para isso, nada mais justo de retomar o ponto do qual se havia parado! Só que agora é mais diferente. Olho o sofrimento à distância, continuo sem compreendê-lo, sem achá-lo legítimo. Penso que deve ser por culpa minha, minha incapacidade de controlar meus pensamentos que me faz sofrer mais do que devia de fato. E que as coisas são mais simples do que tudo isso que elaborei. Só que ao mesmo tempo me dou ao luxo de querer sentir certas coisas... coisas pautadas de uma forma diferente agora, porque querem justamente evitar sofrimentos desnecessários]...

Tem como sentir sem sofrer?

não entendo por que tem que ser assim...

O meu comportamento, o seu afastamento
O seu desdém completo, a minha esperança
A minha dor interna., o seu simpels desmerecer
A conexão cortada, a deseimportância disso
O tempo contado, olhando pra trás
O viver descompromissado, a importância dada a outros tão desimportantes
Um dia como qualquer outro, uma pessoa nem um pouco especial
A negação mais completa de tudo o que aprecia fazer sentido

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Epifania

Deslocamento
Não pertencimento
Estranhamento

Processo de compreensão do vivido
Perspectivas atreladas a um destino não mais desejado
Práticas amarradfas a estas perspectivas

Falta de sentido

Rejeição
Não querer
Ausência de perspectiva

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Imperativo

Faça o que tem que ser feito
Diga o que sente
Mergulhe fundo no que acredita sentir
ou então, restrinja sem medo - corte sem dó
não ofereça outras possibilidades
Não faça o outro sonhar com o acaso
Se você mesmo não acredita nele
Mas aja!

Não quero as coisas pela metade
Não sei sentir em pedaços

Exijo atitudes inteiras dos outros, e não sugestões esfumaçadas -
desejos que podem virar gás em meio aos acontecimentos da vida

E por mais que às vezes não pareça, acredito em transformações lentas, mas que precisaram de atitudes drásticas para que pudessem ocorrer

terça-feira, 8 de março de 2011

Amizade = "se"

Foi tudo tão mais simples, tão mais leve

que não senti a vontade e a necessidade da solidão

risadas fáceis, sorrisos fartos nos lábios

vieram pra mostrar que não é preciso muito para ser feliz

e que insconscientemente sabemos o que estamos fazendo

quando elegemos nossos gostos e conhecemos pessoas por causa deles,

pois a paixão por alguma atividade acaba unindo as pessoas

e aí, o simples fato de se estar junto acaba fazendo as coisas acontecerem

naturalmente...

como se aquela magia da paixão comum a todos contaminasse positivamente todas as

atividades,construindo um sentido comum para tudo que se vive e se faz em conjunto:

dividiu-se, compartilhou-se, apoiou-se, ajudou-se, respeitou-se

hoje, depois desta experiência conjunta, percebi que nomeamos e damos significado a

isso que vivemos através de uma palavrinha tão pequena e tão pouco considerada...

o pronome "se", que não poderia ter denominação melhor para se referir à amizade

do que "pronome reflexivo recíproco


SP, fim de carnaval 2011


A todos que me ajudaram a conjugar os verbos que exprimem os atos que vivemos

... sentindo-nos, compreendi-a [a amizade], compreendi-me, compreendi-nos...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Fragmentos

trechos de música – sons ensurdecedores
batidas para ouvir, letras para entender – reflexos de alguns desejos e vontades

dietas e evitações – gestão da saúde e cuidado de si
cheiros, sabores e novos apetites

em meio a isso, um breve torpor de uma dança - alimento para a alma
prazer que pede por explicação
explicação que não existe, pois seu existir já consiste na própria explicação

água, mais água
chuva, leite e café
alergia, inflamações – desequilíbrio

um calendário que passa,
tensões que não evaporam

momentos e lugares que são ilhas de sossego, equilíbrio e harmonia
ambientes tensionados que lutam por afogar essas ilhas
vontade do mar

bobagens cotidianas
compreensão da incapacidade alheia em não fazer nada - abstração, alienação
poder de enrolar e fazer o tempo transcorrer sem acrescentar nada para si para os outros do mundo - pequenos gestos que fazem a diferença, trazem alegria

emoções em movimento – inconstância
descoberta da impossibilidade de um estar junto
o outro, gestão dos afetos
você, explosão do encantamento

de um lado, um comportamento que relembra um erro do passado,
de outro, a antevisão de um outro eu que já não quer a falta de atitude

quando o que fazia sentido já nao faz mais - risadas sem sentido

autoconsciência da força interior - inércia de começar
rejeição da acomodação - encaminhamentos automáticos

saudades de uma viagem, saudades de um lugar
alegria com uma nova viagem, com um novo lugar

vontade de ficar só, vontade morar só

desejo do grupo – pertença
desejo do outro – cura da ausência
desejo de si – amor pelo novo que já existe em mim

reinvenção de pensamentos – mundo reinventado
perda de memória dos desejos anteriores – por que, afinal tudo isso?

feridas já quase cicatrizadas - curativos na alma expostos
feridas abertas e sua manifestação irritante

vontade contínua da mudança
potência interna violenta

Desejo de um texto completo, concreto, conciso e esclarecedor
pedaços de textos mal escritos recortados em papel
fragmentos - resumo de um estado de espírito

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

o meu futuro é esperar pelo presente de fazer o tempo engatinhar do jeito que eu sempre quis

Observo...

uma cidade que não para
pessoas que caminham, seguem suas vidas...

no degrau de um estabelecimento fechado
um homem prepara num pão o lanche para seu almoço,
enquanto o cachorro que passeia com o dono começa a farejar o sabor de sua comida

Adolescentes prostrados em frente aos muros de uma escola
em seu torpor e formas de agir típicos

rotinas e exceções, novos passos e execuções
nos traços da cidade inquieta

Essa cidade reflete quem sou, o que sinto...
Em meio a tantos acontecimentos minúsculos
cheios de singularidades
anseio pelo tempo que possa ser meu
só para que eu possa desfrutar da minha reflexão
de tudo que parece fútil e sem sentido...

e que a pressa de esperar
pelo que vai acontecer
e querer fazer as coisas acontecerem
possa ser substituída pelo desenrolar natural dos acontecimentos
sem o êxtase do momento,
mas com uma felicidade tranquila
capaz de amolecer qualquer tensão.

SP, 10/02/2011 Angústia

sábado, 29 de janeiro de 2011

Descompasso

(tem horas que) o universo ao meu redor
tenta me mostrar incessantemente do que sou feita

embora seja algo com o que eu tenda e possa me orgulhar,
nem sempre é fácil aceitar a sua própria alteridade perante outros tantos tijolos iguais na parede
Mas quando saio pelo mundo afora e ouço as conversas, observando as atitudes que – por mais que para mim soem mecanizadas demais – são inocentemente executadas por seus sujeitos, sinto um desconforto tremendo em pensar que a vida destas pessoas se resume a aquilo mesmo...
Longe de julgar o rumo que cada um toma para si, essas observações me ajudam a entender ainda mais a minha essência, pois percebo:
- o quanto me irrita ver pessoas vestidas praticamente iguais umas às outras – umas para as outras;
- com os mesmos aparelhos de telefone celular em mãos, postando mensagens, checando ininterruptamente outras;
- discutindo os mesmos assuntos de sempre e achando tudo o mais absolutamente normal

É aí que volto a mim, com a certeza de que ser a Claudia não é para principiantes – exige-se que se saia um pouco da rota traçada por todos, para poder ser e sentir-se melhor, íntegra, completa.
E isso nem todos querem (ou conseguem) compreender... não por sua própria culpa...
mas porque são realmente poucos os que pensam, sentem e agem como se o barato deste mundo fosse muito mais daquilo que as pessoas “normais” consideram existente...