segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Roda



Não é o não fazer, não é o fazer tanto
Tanto que às vezes é visto como nada
Que me tranquiliza

É simplesmente ter deixado de fazer o que não se queria
Longe do que não se suportava
Mais perto de si, do que se acredita

Tempo puro, devolvido a mim mesma
Liberta da tirania do presente que estou.
Tempo dos acontecimentos que se encaixam um outros mundos, realidades variantes, tempo que se comunica com outros presentes

E é nesse emaranhado, na coexistência que vejo
a roda da vida girando
A roda da fortuna girando
de fora
Esperando a hora certa de pular nela de novo
Esperando, desta vez, fazer com  que os acontecimentos que venham não sejam rebatidos apenas no presente que os atualiza, mas que variem nos distintos tempos e mundos da minha existência.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Todo dia

Todo o dia que começa  traz desânimo, conforto ou esperança às pessoas.

Pessoas que vêm e vão, movimentando-se num contínuo entre suas casas, trabalhos e compromissos,
Levando pacotes, mochilas cansadas, bolsas, embrulhos, presentes e verduras.
Gente que vai e que vem,
que carrega nos olhos o peso da semana.
As urgências, cada um sabe das suas.

Todo dia pessoas são demitidas, entram ou saem de seus trabalhos,
encontram algo melhor ou seguem buscando o melhor para si,
incessantemente.
Para poderem dar o melhor de si, de forma menos cruel e avassaladora.

Numa cidade de caos, todo o dia é uma luta.
Sair, chegar, voltar.
Todo dia é um dia a mais...  

A gente envelhece a cada dia.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Melancolia do adeus

E quando chega a hora de partir,
mesmo aquilo que não foi, não pertenceu, não fez sentido, não significou
gera, ainda assim, um aperto esquisito no peito

Seguido de uma pergunta que não quer calar...
Mas por quê?
E em que parte das minhas memórias eu encaixo tudo isso?

E depois de tanto embate, sofrer e crises,
onde devo colocar toda essa parte de mim?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Viva a vida. Tenha vida. Curta a vida

A vida enclausurada não é suficiente
é preciso circular, fazer girar sentidos,
que vêm e vão, refazem-se,
Histórias que se reinventam.
No contínuo pulsar do tempo e levar dos ventos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Carta aos 28

E assim vocês se foram... Mais um ano.
E que bom que descobri no último dia de vocês que eu sou a dona da história. E que isto significa ter o controle do tempo - não de todo o tempo do mundo, mas do tempo que eu quiser.

A vida como aquarela: o vai e vem dos movimentos, arranjos e rearranjos. E eu com um lápis para eu desenhar o que eu quiser. E com o guarda-chuva nas mãos. Não mais o medo da chuva, eu sempre levo o guarda-chuva.

Eu soube, ao longo destes anos todos, prevenir-me e também levar, para além do guarda-chuva, um lápis para comigo. Para eu desenhar o que for preciso para me proteger e escapar dos perigos.

Não gostou, fale. Essa é a lição que eu levo. Sem tê-la clara, fui capaz de conhecer o lado mais obscuro e sombrio de mim mesma. E não gostei. Estou falando agora.

Eu quero o arco-íris. Eu quero todas as coisas que eu quiser pintar. Um colorir para a minha vida. Chega de cinzas.

Voltar a dançar. Na chuva e no sol. Não há mais nada além disso. É desse colorir e descolorir que a vida é feita. Para os 29, quero muita cor.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Antítese do bem

A gente descobre o que nos faz mal num momento de antítese. Quando simplesmente não estamos em contato com "a coisa".

A vida aí é simples, fácil e leve de se levar...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O tempo do não-tempo para si

É duro ir dormir pensando que o dia seguinte será no mínimo muito igual a todos os outros. E que o tempo passará e tudo permanecerá como deve ser. A mudança só se fará sentir no momento em que a ampulheta do tempo das coisas for quebrada. Ou, no mínimo, convertida a enfeite das areias que movem o tempo da vida - a minha vida.