quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

o meu futuro é esperar pelo presente de fazer o tempo engatinhar do jeito que eu sempre quis

Observo...

uma cidade que não para
pessoas que caminham, seguem suas vidas...

no degrau de um estabelecimento fechado
um homem prepara num pão o lanche para seu almoço,
enquanto o cachorro que passeia com o dono começa a farejar o sabor de sua comida

Adolescentes prostrados em frente aos muros de uma escola
em seu torpor e formas de agir típicos

rotinas e exceções, novos passos e execuções
nos traços da cidade inquieta

Essa cidade reflete quem sou, o que sinto...
Em meio a tantos acontecimentos minúsculos
cheios de singularidades
anseio pelo tempo que possa ser meu
só para que eu possa desfrutar da minha reflexão
de tudo que parece fútil e sem sentido...

e que a pressa de esperar
pelo que vai acontecer
e querer fazer as coisas acontecerem
possa ser substituída pelo desenrolar natural dos acontecimentos
sem o êxtase do momento,
mas com uma felicidade tranquila
capaz de amolecer qualquer tensão.

SP, 10/02/2011 Angústia

sábado, 29 de janeiro de 2011

Descompasso

(tem horas que) o universo ao meu redor
tenta me mostrar incessantemente do que sou feita

embora seja algo com o que eu tenda e possa me orgulhar,
nem sempre é fácil aceitar a sua própria alteridade perante outros tantos tijolos iguais na parede
Mas quando saio pelo mundo afora e ouço as conversas, observando as atitudes que – por mais que para mim soem mecanizadas demais – são inocentemente executadas por seus sujeitos, sinto um desconforto tremendo em pensar que a vida destas pessoas se resume a aquilo mesmo...
Longe de julgar o rumo que cada um toma para si, essas observações me ajudam a entender ainda mais a minha essência, pois percebo:
- o quanto me irrita ver pessoas vestidas praticamente iguais umas às outras – umas para as outras;
- com os mesmos aparelhos de telefone celular em mãos, postando mensagens, checando ininterruptamente outras;
- discutindo os mesmos assuntos de sempre e achando tudo o mais absolutamente normal

É aí que volto a mim, com a certeza de que ser a Claudia não é para principiantes – exige-se que se saia um pouco da rota traçada por todos, para poder ser e sentir-se melhor, íntegra, completa.
E isso nem todos querem (ou conseguem) compreender... não por sua própria culpa...
mas porque são realmente poucos os que pensam, sentem e agem como se o barato deste mundo fosse muito mais daquilo que as pessoas “normais” consideram existente...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Com-partilhar

É possível sentir saudades de quem a gente mal conhece?
Como se explica a vontade sem tamanho de ser pessoa próxima de alguém?
De saber dos detalhes da vida, do que acontece, de como pensa, sobre o que pensa, do que ri, do que chora, por que se ilude, como se distrai, quais são os problemas pelos quais passa...

Mais do que vontade... necessidade... porque é como se a sua vida precisasse das histórias, dos dilemas da vida da outra pessoa para poder seguir seu rumo, viver suas próprias histórias, resolver seus próprios dilemas.

Como se, na verdade, essas vidas se conversassem há tempos, quando contávamos a nós mesmos os nossos casos, mas só agora puderam se conhecer pessoalmente e compartilhar

E não há dúvida que dilua essa certeza
que mais do que intrigar, revela o quão inevitável é o querer,
o sentir que vem de não sei onde, de não sei quando, mas que se concretiza
após cada gesto e olhar de cumplicidade,
compondo um espectro energético que nos alimenta interiormente,
traçando uma composição perfeita, no qual linhas e curvas dividem caminhos,
pontos e linhas viram figuras bonitas ao se somarem.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Re-encontros

não sei como nem por quê
dessas coisas que acontecem, que a gente espera, mas não calcula
que no fundo a gente já sabe... que vão acontecer...

volta quem tinha se afastado
reencontram-se aqueles que haviam se perdido
e re-conhecem-se aqueles que mal haviam se conhecido

e tudo isso já não me causa espanto, apenas alegria
em saber que os meus encontros fatídicos nunca são em vão
que as conversas profundas chegam na hora certa
para alegrar minha alma e meu coração,
para me convencer de que estou no caminho certo
na minha evolução
e que tenho muita sorte pelas pessoas que são minhas irmãs

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pra manter ou mudar

Toda escolha é uma porção de mim
Porque reflete quem eu sou e do que sou feita
Por isso, a inconstância do querer me deixa assim...
cheia de conflitos existenciais internos

Penso, repenso e me pergunto
se tudo o que passou não teve outro papel que não a experiência
e se nunca vai significar nada...

Pra que temer?
Na hora de decidir
As coisas que são pra manter ou mudar?

domingo, 28 de novembro de 2010

Apelo

Não quero nada do que é seu de volta
Nem sinto saudades de todo este tempo que passei junto com meus sentimentos...
prestes a explodir, vendo-os dia após dia serem tirados e recolocados em seus devidos lugares: na minha cabeça e no meu coração...

Chega uma hora em que é preciso enterrar esse amor guardado dentro de nós, que se torna assassino pouco a pouco se não o libertamos...

Então, como um milagre do tempo, passei a encarar a verdade e consegui finalmente considerar tudo aquilo que aconteceu entre nós como algo que merece ser considerado em suas devidas proporções

O que poderia ter sido e não foi nao cabe nessas considerações...
Agora tá tudo jogado fora, nem foi preciso criar a caixa de pandora...

Agora que consegui ser sincera comigo mesma, faço um apelo: seja-o também
pense, repense
pois dá pra ver que você não está feliz

Não precisa me mandar a resposta.

domingo, 31 de outubro de 2010

relicário

enquanto vênus continua retrógrado
e a lua ainda é minguante
vou ver se consigo juntar numa caixinha tudo que você me deu...

todas as lembranças reais ou imaginárias
que me fazem oscilar entre o bem e o mal me quer

quem sabe um dia eu te entrego...