sábado, 14 de janeiro de 2012

Ausência

Esse negócio de escrever sobre a ausência é meio esquisito
estranho escrever sobre algo que só se constitui pelo não ser, não-estar
Falta de alguém querido, capaz de gerar as mais profundas angústias
Mas afinal, o que significa sofrer com a falta?
Até que ponto é legítimo sentir os efeitos que um não-estar-junto causa em nosso peito?
Serão todas aquelas angústias e desejos de se acercar do distante válidas enquanto sentimento?
Às vezes acho que a ausência é parente do amor
Por mais que se trate de um sentimento tão difícil de aceitar...
Pois mais do que sintoma, ela é efeito direto que o amor causa
Como se ao mesmo tempo servisse pra provar que o amor existe, mas que também faz chorar quando ele não está
Mas a ausência tem poder, porque é ela que gera ação
Ela é um dos vetores pelos quais o amor se faz sentir... sim, porque o amor não só se constrói de sentimentos que alegram o peito... estes só se fazem quando a ausência se afasta, mas voltam à memória quando ela está presente e outros sentimentos entristecem o peito. É aí que ela gera a busca para a sua própria superação
A ausência é o lado imperfeito do amor

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

"sempre tem gente pra chamar de nós, sejam milhares, centenas ou dois"

Embrulhei todas as mágoas num pacotinho
Tristezas, desapontamentos, dores passadas foram junto
Desilusões, todas, uniram-se a eles

Precisavam mesmo ir embora...

Catei os cacos, juntei as pedras,
fiz um castelo com jardim
sem espaço para os fantasmas do passado não têm vez

Tudo foi jogado no mar

E a vida me convida a sorrir, amar e ser feliz de novo

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Não, ela não queria mais construir a imagem idealizada de um par perfeito...
Pra que, se definir é limitar? Não queria nem mais pensar como tinha que ser o cara ideal, como o conheceria, como seria o primeiro encontro, o primeiro beijo, o estar junto depois...

Não, isso só a cerceava, restringia suas possibilidades, limitava o livre desenrolar dos acontecimentos, impedindo a si mesma de ser surpreendida por seus próprios desejos

Quem saía perdendo era ela mesma
Percebia que já não queria mais controlar tudo o que sentia e desejar que tudo o que fosse acontecer se desse rigidamente conforme havia planejado e imaginado para si

Era preciso derrubar muros, desfazer pressupostos, baixar a guarda e soltar as armas
De repente, viu-se totalmente solta e entregue ao acaso... e era tão bom!

Caducar de certezas
Entendia agora os acasos, as paixões de cupido, os gostares sem sentido.
Daí concluía para si mesma que queria muito Ver, viver, sentir o desenlace daquela trama germinada

Para o bem ou para o mal, o resultado de tudo aquilo só poderia ser bom para ela mesma e para a sua vida

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Esperando o vôo da falta para bem longe


Foi uma passagem pelas ruas de uma quente tarde de domingo que ela percebeu a falta
Era tudo tão óbvio – pessoas passeando com seus queridos ou divertindo-se sozinhos, sentindo a brisa quente de um dia de fim de inverno, sem maiores preocupações
Mas ela estava presa – ligada a obrigações que já não sentia mais compromisso em manter, mas que ainda assim tomavam parte de seu tempo
E isto não era tudo... seus sentimentos e vontades ainda estavam aprisionados como numa cápsula furada. Faltava a abertura, a explosão para aquilo que ela mais queria
Até quando ia ficar racionalizando emoções? Guardando-as sem explicitá-las num sorriso, numa frase mais direta, numa atitude certeira?
Ela tentava imaginá-la feliz, solta como deveria ser, mas parece que faltava força para que fosse além da vontade – não poderia ser só prece, só oração
Era preciso trabalhar para fazer isto acontecer, isto é, viver...
Viver era o exercício perfeito para tentar ser quem gostaria

Final de agosto, na espera dos leves ares de Setembro

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Permissão a um sentimento, ou como fugir de si mesma

Era um não como outro qualquer...
ou seria, se não tivesse percebido que o não, na verdade, era para ela mesma

Não à abertura despretenciosa ao interesse alheio
Não à chama de quase não ser nada que estava imaginando
Não ao desejo inconsciente e curioso sobre uma meia verdade enunciada
Não ao dar-se essa chance a si mesma
Não ao simples pagar para ver

Era apenas uma incerteza,
mas que só seria incerta enquanto estivesse afastada da concretude
No mais, tinha tudo para se render como a obviedade mais óbvia do mundo

Era tudo tão inimaginável que ela começou a concluir que são dessas situações mais improváveis que saem as lindas pérolas, os mais lindos castelos, os mais densos romances...



15/08/2011 Duvidando de mim mesma

quarta-feira, 20 de julho de 2011

meu jardim

Brincando sem querer no jardim encontrei...
várias flores diferentes,
cada uma colorida a seu modo,
cheirosa a seu estilo
e espinhosa a nossos gostos.

Qual delas vou colher?
Posso usá-la para um bem-me-quer, mal-me-quer, para decorar minha casa ou para alegrar minhas narinas...
Posso ainda colher várias e fazer um buquê...
Ou deixá-las no solo e pegar aquela que já estiver se despreendido e cruzar meu caminho

sábado, 25 de junho de 2011

Meia-noite em paris ou... sobre quem somos

Acabei de ver Meia-noite em Paris, que me fez rir muito e me ensinou algumas coisas... Como não podia ser diferente, preciso dividi-las aqui para ver se deixo-as mais vivas dentro de mim mesma, pois, ao meu ver, tratam-se se ensinamentos para uma vida:

- muitas vezes, como o personagem principal, buscamos nos remeter a outras épocas, lugares, a atividades e ídolos para nos sentirmos bem. Isso porque lá, será possível que imaginemos um mundo perfeito e vivamos nele, ainda que por instantes. Não há nada de errado com isso. É muito bom sonharmos e termos a impressão de que tudo poderia ser diferente. Mas nem por isso este fato pode servir de justificativa para um escapismo nosso. Se na nossa época se acentua em algumas pessoas a sensação de que tudo está errado e que estamos vivendo num mundo que não nos pertence, devemos saber que este sentimento não é exclusivo dos 2000. Sempre haverá, de certa forma, insatisfação com o nosso presente vivivo... daí a busca de um passsado glorioso, que na verdade, para quem nele viveu, nada tem de glória... E isso mostra que devemos olhar de frente para os nossos problemas atuais e nos posicionarmos... de que lado queremos estar? Queremos (e nascemos para) Hollywood ou Paris? Ou Brasil?? vale marcar que nossos sonhos com o passado podem nos dar uma mãozinha nessa resposta...

- o segundo ponto tem a ver com o primeiro e é simples como esta frase: não adianta insistir em estar junto de quem não se parece com você. É preciso, como diz Adriana, que se concorde "nas grandes questões". E quais seriam elas? Cada uma em as suas, assim como se escolhe por Hollywood, Paris, Brasil ou qualquer um deles... No meu caso evolui do encanto inebriante, vulgo química, para o jeito de encarar o mundo a si próprio e a mim...

- pra terminar, nunca devemos esquecer de olahr pra dentro para saber quem realmente somos e lembrar disto em todas nossas escolhas. A felicidade é consequência...